Crítica | Mare of Easttown

Uma cidadezinha suburbana no estado da Pensilvânia, um corpo sem vida abandonado à beira de um rio, e uma detetive sagaz e competente, mas traumatizada pelo suicídio do filho.

A princípio, “Mare of Easttown” não é tão diferente dos dramas policiais com os quais estamos acostumados. Porém, desde que estreou no serviço de streaming da HBOMax em abril deste ano nos Estados Unidos, rapidamente tornou-se um fenômeno cultural e um dos shows mais vistos em 2021.

Criada por Brad Ingelsby e com Craig Zobel no comando, a série mostra como o assassinato de uma estudante adolescente comove os moradores da comunidade de Easttown, particularmente a policial veterana Mare Sheehan, interpretada por Kate Winslet. Quando o corpo de Erin McMenamin, interpretada por Cailee Spaeny, é encontrado em um bosque nos arredores da cidade, Mare é prontamente designada para liderar o caso e achar o responsável pela morte da jovem.

Entretanto, “Mare of Easttown” vai muito além de ser uma história de crime. Cada um dos seus sete episódios aborda, destemida e eficazmente, temas como depressão, uso de drogas, suicídio e relacionamentos familiares que a primeira vista parecem irreparáveis - nunca parando na superfície ou trabalhado de maneira exarcebada, a ponto de virar piegas. E a pesar de ser um seriado pesado na maioria das vezes, acerta em cheio ao incluir um pouco de humor nos momentos mais inesperados.

Além do roteiro e direção criativa, boa parte do sucesso de “Mare of Easttown” repousa nos ombros de Kate Winslet, que não somente serve como produtora executiva do seriado, como nos presenteia com a melhor atuação de sua carreira. Winslet desaparece por inteira nas nuances de sua personagem. E as participações de Jean Smart e Julianne Nicholson, que interpretam Helen Fahey e Lori Ross, a mãe e a melhor amiga de Mare, respectivamente, é outro ponto excelente da série.

Uma das grandes experiências em assistir “Mare of Easttown” em tempo real na televisão Americana foi a estrutura semanal com a qual os episódios eram lançados, agravando o mistério e antecipação até o próximo capítulo. Infelizmente, quem assistir ao seriado pelo serviço da HBOMax no Brasil não contará com este benefício, mas a trama ainda se mantém robusta mesmo no formato “binge watching”.

Alias, preparem-se para uma das maiores revelações em um seriado policial em anos. A satisfação de adivinhar ou não o que aconteceu com a jovem Erin será inesquecível.

“Mare of Easttown” é drama e mistério elevados à última potência. É difícil imaginar que qualquer outro seriado lançado este ano chegue perto da qualidade e do sucesso que “Mare of Easttown” alcançou em tão pouquíssimo tempo. Mas é um duelo que realmente gostaríamos de assistir.

9.5

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